20 de janeiro de 2018

Os Jesuítas em Portugal: um projecto do tamanho do mundo.


   Ontem, a convite do meu caro RPB, da Nova Portugalidade, fui convidado a estar presente numa conferência, no Palácio da Independência, subordinada ao tema que consta no título da crónica. A Nova Portugalidade é um projecto de índole cultural, que já deu as caras pela imprensa portuguesa, e que conta com o apoio de várias entidades e individualidades do nosso meio público, nomeadamente de Dom Duarte Pio de Bragança, que era para ter estado presente na conferência de ontem, mas que não pôde por motivos de força maior.

   Foi uma honra para mim ser convidado para a palestra, em primeiro lugar porque sou seguidor, e admirador, da Nova Portugalidade. Aliás, e permitam-me a inconfidência, fui convidado a participar no projecto, que envolve pessoas creditadas e versadas em história, direito e ciência política, sobretudo. O meu medo de arriscar, talvez, e a minha aversão a compromissos terão pesado no adiamento da decisão, que não declinei o convite. Gostaria imenso de participar activamente, todavia, e embora saiba estar à altura do desafio, só aceitaria, sem hesitar, sabendo que poderia entregar-me de corpo e alma a um projecto que nos consome tempo e empenho a mil por cento.


   A conferência teve lugar no salão nobre do palácio, com a visualização de slides à medida em que a oradora nos convidava a conhecer a missão dos jesuítas portugueses, e não só, no Oriente. Falou-se nos sacrifícios, na apostasia, na dificuldade que o cristianismo teve para se impor na China e no Japão. E falou-se, também, em Martin Scorsese e no filme Silêncio, que presumo ter assistido há exactamente um ano por este dia, mas cuja review é apenas do dia 22. Podem consultá-la aqui.


   Demorou uma hora, razoavelmente, e foi esclarecedora. Claro que, a incautos, alguns anacronismos poderão passar despercebidos. A oradora falou em Espanha e em Itália no século XVI, quando nem uma, nem outra existiam. O Reino de Espanha remonta ao século XVIII, com os Borbón, e Itália foi reunificada só no século XIX. Entre outras imprecisões.

    Não posso dizer que tenha ficado a saber muito mais sobre a actividade missionária da Companhia de Jesus, fundada por Inácio de Loyola no século XVI, e extinta pelo crescente de poder e riqueza, já no século XVIII, até ter sido recuperada no início do século XIX. A Companhia de Jesus constituía um contrapoder ao poder, rivalizando, com a coroa, em prestígio e influência. Não se limitava a deter o monopólio do ensino; comercializava, avolumando-se os negócios. No zénite do absolutismo, do centralismo régio, não havia lugar a uma ordem que podia influenciar os vassalos contra a coroa. Pombal tratou de expulsar os religiosos, num gesto em que foi seguido por outras cortes europeias, pressionando a Santa Sé à sua extinção, o que se verificaria décadas depois.

   Após o término da conferência, explorei um pouco o Palácio da Independência, que merecia estar melhor preservado. A tinta está a lascar e os indícios de deterioração são visíveis. Ainda assim, não esconde a sua... portugalidade.



Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. São minhas e de minha autoria. Uso sob permissão.

19 de janeiro de 2018

Jantar da Amizade.


   Há um ano, um amigo comum fez uma fractura delicada e teve de ser intervencionado cirurgicamente. A amizade havia-se cimentado uns meses antes, quando, num determinado jantar, confraternizámos por longas horas. Uma leitora de blogues, conhecida por todos, resolveu marcar um jantar para levantar o astral ao dito amigo. Esse jantar ocorreu num restaurante vegan, muito simpático. Reunimos cinco pessoas.

   Este ano, e sem qualquer compromisso anterior, falou-se em repeti-lo no mesmo dia, 3 (com um dia de diferença, na verdade), para celebrar o início de uma história de encontros e peripécias. Assim foi. A reserva está feita. O jantar não está a ser organizado por mim, mas digamos que dei uma mãozinha. Fiquei de fazer a reserva. Foi feita duplamente.

   A que propósito vem o assunto: o jantar, as usual, está aberto a quem quiser participar. O amigo (pouco secreto) é o Francisco, do blogue do Olimpo, e está todo entusiasmado com o seu primeiro, e honroso, jantar. Somos, ao que tudo indica, umas nove pessoas, mas mais se poderão chegar. Podem confirmar a vossa presença através do e-mail do meu blogue, que encontrarão no vosso canto superior direito, ou através do e-mail do Francisquito, que encontrarão lá pelo seu espaço. Não tenham medo, porque ninguém morde. Se o problema é tornarem-se conhecidos, uma palavra: primeiro, só custa a primeira vez (e nem custa, a bem dizer); segundo, muitos já são conhecidos por todos e pensam que não, logo, só há benefícios. Claro que só vem quem quer, e pedinchar não faz o meu estilo - não o fiz para o meu jantar de Natal, menos o faria agora.

    Está o assunto tratado. É convosco. :)


15 de janeiro de 2018

Cultural Sunday [Take 2].


   O prometido é devido. Ontem, mantendo-me fiel ao que delimitei para este início de ano, fui ao encontro de mais um dos inúmeros monumentos que Lisboa tem para nos oferecer, o Palácio Nacional da Ajuda. Quanto ao percurso, nada há a enganar: o 28 até Belém, seguindo-se o 29, para quem não quer subir a calçada da Ajuda, até ao palácio. Quando chegamos ao alto da calçada, deparamo-nos com as traseiras do palácio, que como se sabe, está inacabado. Contornamo-lo pela direita e rapidamente chegamos à entrada principal, imponente. Poderão verificar.


Sumptuoso, é o adjectivo possível

   O Palácio Nacional da Ajuda é uma obra novecentista. Importa fazer certa contextualização histórica, mui sucinta. Nos terrenos em que se situa o palácio, erguia-se a Real Barraca da Ajuda, surgida com a fobia de Dom José a recintos fechados, na sequência do sismo. A Real Barraca ardeu em 1794, e Dom João VI, príncipe regente, ordenou que se lançasse a primeira pedra do futuro paço da Ajuda, construído ao longo de várias dezenas de anos - até à actualidade. A consolidação do liberalismo retirou peso político à coroa e transferiu-a para o governo constitucional, daí que o palácio mantenha fachadas por concluir até aos nossos dias. Por lá ocorreram alguns dos episódios mais significativos da nossa história, desde a comunicação aos portugueses dos motivos que levavam a corte para o Brasil, passando pela aclamação de Dom Miguel e pelo juramento de Dom Pedro IV à Carta Constitucional de 1826. Todavia, o casal régio Dom Luís e Dona Maria Pia, que o tomaram por residência, deram, ao palácio, a configuração, inclusive no seu rico recheio, que lhe conhecemos. Na Ajuda, nasceram os infantes Dom Afonso e o futuro Dom Carlos, penúltima cabeça a reinar em Portugal, de desditoso destino. Ainda hoje, para cerimónias solenes, o palácio é utilizado pela Presidência da República. Deixo-vos algumas fotos das setenta - sim, contabilizei-as - que tirei.




Na primeira foto, um óleo do século XIX, contemporâneo dos retratados. Surgem Dona Maria Pia de Saboia, os infantes Dom Carlos e Dom Afonso e Dom Luís. Na segunda, umas das salas mais bonitas do Palácio Nacional da Ajuda: a Sala Rosa.



Na primeira foto, a sala de jantar, onde a família real se deleitava com cozinhados que tão mal faziam à saúde, muito à base de carnes de porco e fumados. Assuntos políticos e coscuvilhices ficavam de fora. Na segunda, o grande salão de banquetes, ainda hoje usado pela Presidência da República em alguns eventos.


   Quem me segue através de outras plataformas, vai tendo acesso ao acervo. Não quero saturar a publicação com fotos, e o Blogger não tem um mecanismo muito fácil, do ponto de vista do utilizador, para publicar várias num único post com um efeito final agradável à vista. Ando a pensar em criar uma conta de Tumblr para o blogue, que na verdade já existe. Aí colocaria as fotos. Bom, ficam com uma ideia geral.
   O palácio é encantador. Tem a sala do trono, várias antecâmaras, os aposentos reais. Um mimo! No final da visita, pelo menos passou-se comigo, ficamos com a sensação de tudo visto. Subimos e descemos escadarias até perder a conta. Claro está que há divisões fechadas ao público, mas compensa, sim. Não poderei dizer o mesmo de Queluz e da Pena, maravilhosos, seguramente, e valem muito a pena, mas parece que nos reservam umas salinhas para dar a ligeira impressão de que ficamos a conhecer os palácios.


  Uma palavrinha para sábado. Estive na gala de entrega dos Prémios Arco-Íris, da ILGA Portugal. Tive de sair mais cedo, mas gostei do que vi, da organização, do espaço, que conhecia, e da atmosfera. A vibe era boa. Aqui fica o testemunho em imagem. :)



   E assim termina mais um relato de domingo. O palácio consumiu-me a manhã toda. Não vi mais nada. Passeei à beira-rio. Também convém, para ir tendo sempre o que ver. E por falar em ver, já sei o que farei no próximo domingo, e onde irei, mas vocês saberão no devido momento. :)


Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. São minhas e de minha autoria. Uso sob permissão.






9 de janeiro de 2018

Cultural Sunday.


   Primeiro domingo do mês, primeiro domingo do ano. A decisão já estava tomada. Iria aproveitar o dia para visitar alguns museus grátis apenas ao primeiro domingo. A maioria dos museus está aberta, gratuitamente, a todos os domingos. Entretanto, alguns há que só admitem entradas gratuitas ao primeiro de cada mês. Passos Coelho, na altura, alterou a regra. Todos os museus só admitiriam, a partir de então, entradas gratuitas ao primeiro domingo. António Costa, e bem, repristinou a medida anterior, devolvendo os museus aos domingos.

   Sendo sincero, levantar cedo, ao fim-de-semana, não me custa. E nem o frio ou a chuva me desmotivam. No domingo, esteve um dia maravilhoso, com um sol cheio. Frio, sim, mas estamos em Janeiro. Nada que um bom casaco, quentinho, não resolva. Depressa me meti no 28 e cheguei ao meu destino: Belém.

    Belém é um bairro que adoro. Por razões familiares. Em pequeno, todos os sábados ia, com os pais, aos pastéis de Belém. Eu não me recordo, mas eles assim mo contam. É um bairro agradável, muito histórico. Estive lá, pela última vez, em Dezembro, com o M., quando andámos a passear pelos Jerónimos, pela Torre e pelo Museu dos Coches. Eu conheço grande parte dos museus da cidade. Repito alguns amiudadas vezes. Há outros que, todavia, não conheço. É, ou era, o caso do Museu da Marinha. Grande lacuna, que colmatei.

    O Museu da Marinha figura, até ver, como o meu favorito. É lindíssimo. Histórico, muito, como se adivinha, pelo nosso papel ligado ao mar e aos descobrimentos. Está bem coordenado, bem documentado, com toda a informação bem colocada. É extenso, com um piso superior apreciável. Começamos logo com as primeiras embarcações portuguesas para terminarmos com os paquetes do século XX. Tem centenas de maquetes de embarcações, das primeiras naus ao navios recentes. Encontramos, também, quadros e utensílios ligados à actividade piscatória, numa das salas do museu, bem como dados relativos às missões em que participa a marinha portuguesa, na actualidade. Temos acesso, ainda, a informação histórica sobre a nossa participação na I Guerra Mundial, sempre na óptica da marinha. Vale muito a pena visitar o museu. Fica situado no encantador conjunto arquitectónico dos Jerónimos. Deixo-vos algumas das (muitas) fotos que tirei.







   Na primeira foto, uma caravela portuguesa quatrocentista.
   Na segunda foto, uma das salas do museu, no piso intermédio, com maquetes.
   Na terceira foto, uma escultura indiana de D. Isabel de Aragão, também conhecida como Rainha Santa Isabel, do século XVII.
   Na quarta e última foto, um óleo retratando uma embarcação portuguesa enfrentando um mar alvoroçado.
  

   Demorei-me cerca de duas horas. Quis ver tudo com calma e atenção. À saída, e como não encontrei nenhum estabelecimento calmo para almoçar, fui ao MAAT, o mais recente museu da capital. Foi a minha segunda vez no MAAT. Fui à inauguração. Compreendo o conceito do museu, mas não é, de longe, o que me enche o olho. Aproveitei a gratuitidade do primeiro domingo também. Tem umas exposições curiosas. Destaco esta, de Bill Fontana: Shadow Soundings, na qual se reproduzem os sons do tráfego na ponte 25 de Abril.



    Antes que anoitecesse, e como estava com fome, apanhei o autocarro em direcção à Praça do Comércio. Almocei na Portugália, seguindo para casa.
    Foi um domingo diferente, que repetirei, na minha exclusiva companhia. Passeei pela avenida junto ao rio, em frente ao MAAT, tirando mais fotos para o meu acervo pessoal. Gosto imenso de sair sozinho, de ir para onde quero, como quero e à hora que quero. Sabe tão bem.

     No próximo domingo, e nos que virão, tenho outros museus e monumentos para visitar. Ficam comigo, com a certeza de que os partilharei, e aos meus passeios, convosco.


Todas as fotos foram captadas com o meu iPhone. São minhas e de minha autoria. Uso sob permissão.